quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Política

Aldenor relembra mobilização de 2023 ao contestar novo encaminhamento de Filó

Vereador afirma que a capivara está saudável e questiona a falta de uma perícia atualizada antes da entrega ao Ibama, determinada pela Justiça Federal para ocorrer em até 30 dias.
Aldenor relembra mobilização de 2023 ao contestar novo encaminhamento de Filó
Foto: Paulo Pascareli/Assessoria

O vereador Aldenor Lima (União Brasil) voltou a defender a permanência da capivara Filó no ambiente em que vive e questionou a decisão da Justiça Federal que determina a entrega do animal ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A manifestação ocorreu na manhã desta quarta-feira (14 de outubro), durante pronunciamento no plenário da Câmara Municipal de Manaus.

Presidente da Comissão de Proteção e Bem-estar Animal (Compets), Aldenor afirmou que a ordem judicial prevê o encaminhamento de Filó ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Manaus. A sentença foi proferida na terça-feira (13 de outubro) e estabeleceu prazo de 30 dias para que Agenor Tupinambá entregue a capivara ao órgão ambiental.

Questionamento sobre a estrutura

De acordo com a decisão citada pelo vereador, a finalidade da entrega é a reabilitação do animal e uma possível reintegração à natureza. Aldenor, porém, declarou que o Cetas apresenta estrutura precária e que o retorno de Filó ao local pode oferecer risco à vida da capivara. Segundo ele, essa preocupação já teria sido apontada em decisão judicial anterior.

Durante o discurso, o parlamentar leu um trecho da decisão judicial que descreve a relação de Agenor Tupinambá com a floresta e os animais existentes na área rural onde mora. Em seguida, afirmou que a mesma decisão teria reconhecido problemas relacionados à permanência de Filó no Ibama. “O Cetas não tem estrutura para abrigar animais silvestres”, disse Aldenor.

Médico-veterinário, o vereador defendeu que medidas relacionadas à fauna silvestre considerem a segurança, a saúde e o bem-estar do animal. Para ele, também devem ser avaliadas as condições efetivas do espaço destinado ao acolhimento e as características de cada espécie.

Pedido de nova avaliação

Outro ponto apresentado por Aldenor foi a ausência de uma nova perícia judicial antes do cumprimento da sentença. O parlamentar argumentou que a situação atual de Filó deveria ser analisada, assim como as condições do Cetas que receberia o animal.

Aldenor afirmou que a capivara está saudável e circula livremente na natureza. “Passa dias sem aparecer porque está vivendo instintivamente”, declarou. A divulgação da manifestação não apresenta uma nova avaliação técnica independente que confirme, neste momento, as condições de saúde, comportamento ou adaptação do animal, nem detalha quais medidas seriam adotadas para a reabilitação prevista na sentença.

Também não foram informados, na manifestação do vereador, o cronograma da eventual reabilitação, os responsáveis pela execução dessa etapa ou os critérios para uma possível reintegração à natureza. O prazo judicial de 30 dias para a entrega ao Ibama é o único período especificado no conteúdo divulgado.

Referência à mobilização de 2023

Aldenor disse acompanhar o caso desde 2023, quando participou de uma mobilização nacional pela devolução de Filó ao ambiente em que vivia. Na ocasião, segundo o parlamentar, ele esteve no Cetas com a deputada estadual Joana Darc (União Brasil) e profissionais habilitados para avaliar as condições da capivara.

O vereador afirmou que está disposto a participar de uma nova avaliação, caso seja necessário. Ele também criticou a prioridade dada pelo órgão ambiental ao caso, mencionando a situação das queimadas e a necessidade de responsabilizar quem incendeia a floresta e provoca a morte de animais.

Ao encerrar a manifestação, Aldenor disse que pretende continuar contestando o encaminhamento de Filó. O caso envolve, de um lado, uma sentença que determina a entrega ao Ibama para reabilitação e possível reintegração; de outro, a defesa do vereador por uma análise atualizada do animal e da estrutura disponível antes da execução da medida.

Fonte: Camara dos Vereadores Manaus.

Foto: Paulo Pascareli/Assessoria