O vereador Aldenor Lima (União Brasil) voltou a defender a permanência da capivara Filó no ambiente em que vive e questionou a decisão da Justiça Federal que determina a entrega do animal ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A manifestação ocorreu na manhã desta quarta-feira (14 de outubro), durante pronunciamento no plenário da Câmara Municipal de Manaus.
Presidente da Comissão de Proteção e Bem-estar Animal (Compets), Aldenor afirmou que a ordem judicial prevê o encaminhamento de Filó ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Manaus. A sentença foi proferida na terça-feira (13 de outubro) e estabeleceu prazo de 30 dias para que Agenor Tupinambá entregue a capivara ao órgão ambiental.
Questionamento sobre a estrutura
De acordo com a decisão citada pelo vereador, a finalidade da entrega é a reabilitação do animal e uma possível reintegração à natureza. Aldenor, porém, declarou que o Cetas apresenta estrutura precária e que o retorno de Filó ao local pode oferecer risco à vida da capivara. Segundo ele, essa preocupação já teria sido apontada em decisão judicial anterior.
Durante o discurso, o parlamentar leu um trecho da decisão judicial que descreve a relação de Agenor Tupinambá com a floresta e os animais existentes na área rural onde mora. Em seguida, afirmou que a mesma decisão teria reconhecido problemas relacionados à permanência de Filó no Ibama. “O Cetas não tem estrutura para abrigar animais silvestres”, disse Aldenor.
Médico-veterinário, o vereador defendeu que medidas relacionadas à fauna silvestre considerem a segurança, a saúde e o bem-estar do animal. Para ele, também devem ser avaliadas as condições efetivas do espaço destinado ao acolhimento e as características de cada espécie.
Pedido de nova avaliação
Outro ponto apresentado por Aldenor foi a ausência de uma nova perícia judicial antes do cumprimento da sentença. O parlamentar argumentou que a situação atual de Filó deveria ser analisada, assim como as condições do Cetas que receberia o animal.
Aldenor afirmou que a capivara está saudável e circula livremente na natureza. “Passa dias sem aparecer porque está vivendo instintivamente”, declarou. A divulgação da manifestação não apresenta uma nova avaliação técnica independente que confirme, neste momento, as condições de saúde, comportamento ou adaptação do animal, nem detalha quais medidas seriam adotadas para a reabilitação prevista na sentença.
Também não foram informados, na manifestação do vereador, o cronograma da eventual reabilitação, os responsáveis pela execução dessa etapa ou os critérios para uma possível reintegração à natureza. O prazo judicial de 30 dias para a entrega ao Ibama é o único período especificado no conteúdo divulgado.
Referência à mobilização de 2023
Aldenor disse acompanhar o caso desde 2023, quando participou de uma mobilização nacional pela devolução de Filó ao ambiente em que vivia. Na ocasião, segundo o parlamentar, ele esteve no Cetas com a deputada estadual Joana Darc (União Brasil) e profissionais habilitados para avaliar as condições da capivara.
O vereador afirmou que está disposto a participar de uma nova avaliação, caso seja necessário. Ele também criticou a prioridade dada pelo órgão ambiental ao caso, mencionando a situação das queimadas e a necessidade de responsabilizar quem incendeia a floresta e provoca a morte de animais.
Ao encerrar a manifestação, Aldenor disse que pretende continuar contestando o encaminhamento de Filó. O caso envolve, de um lado, uma sentença que determina a entrega ao Ibama para reabilitação e possível reintegração; de outro, a defesa do vereador por uma análise atualizada do animal e da estrutura disponível antes da execução da medida.
Fonte: Camara dos Vereadores Manaus.
Foto: Paulo Pascareli/Assessoria


