Focos de queimadas em áreas rurais, rodovias e ramais de municípios próximos a Manaus foram relacionados, durante debate na Câmara Municipal, aos efeitos da fumaça sobre a qualidade do ar da capital. Na mesma sessão, vereadores discutiram a prevenção ao câncer de mama e do colo do útero, com defesa de diagnóstico precoce, unidades móveis e reforço da rede de atendimento à saúde da mulher.
Os temas foram abordados no Grande Expediente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), na terça-feira (13 de outubro). As manifestações apresentaram propostas de fiscalização, articulação entre governos e uso de aeronaves para alcançar áreas isoladas, mas não registraram a execução de um plano com metas, prazos ou custos para essas medidas.
Fumaça associada a incêndios próximos
O vereador Gilmar Nascimento (Avante) afirmou que há focos de incêndio em áreas rurais, rodovias e ramais de municípios próximos a Manaus. Segundo ele, a fumaça produzida nessas localidades também compromete a qualidade do ar na capital.
Gilmar defendeu a integração entre os governos federal, estadual e municipais para ampliar as ações de fiscalização e prevenção. O vereador citou ainda a Lei Municipal nº 618/2026, de sua autoria, que institui a Semana de Estudo sobre Conservação Ambiental e Sustentabilidade Amazônica nas escolas de Manaus.
Na avaliação apresentada pelo parlamentar, o período de seca e queimadas exige articulação entre as administrações públicas para aprimorar políticas públicas, fiscalização e regras preventivas. A divulgação da Câmara não detalha, porém, quais órgãos assumiriam cada medida, nem informa prazo ou recurso previsto para a integração defendida.
Marco Castilhos (União Brasil) mencionou a suspensão preventiva das atividades escolares nas redes municipal e estadual de ensino e afirmou que a fumaça tem afetado a rotina dos moradores. Ele defendeu campanhas de conscientização sobre os riscos das queimadas irregulares e a atuação conjunta da Comissão de Meio Ambiente da CMM, dos órgãos de fiscalização e do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
“É essencial conscientizarmos a sociedade e atuarmos em conjunto com os órgãos de fiscalização e o Ministério Público no combate a práticas irregulares de queimadas que prejudicam o coletivo”, declarou o vereador.
Equipamentos e atendimento de saúde
Dr. Eduardo Assis (Avante) defendeu investimentos em tecnologia, equipamentos e aeronaves para alcançar focos de incêndio em áreas de difícil acesso. O vereador afirmou que a Prefeitura reforçou a fiscalização e os investimentos, mas avaliou que seriam necessários apoio aéreo e equipamentos das esferas estadual e federal para áreas isoladas da floresta.
O pronunciamento, conforme divulgado pela CMM, foi um pedido de reforço à atuação contra os incêndios. Não foram apresentados valores, prazos de aquisição ou contratação, nem informações sobre a resposta dos governos estadual e federal às medidas mencionadas.
Na frente relacionada à saúde da mulher, a vereadora Professora Jacqueline (União Brasil) citou estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para 2026. De acordo com os números apresentados por ela, o Amazonas deverá registrar 600 novos casos de câncer de mama e 620 de câncer do colo do útero. Para Manaus, as projeções mencionadas são de 410 casos de câncer de mama e 430 de câncer do colo do útero, respectivamente.
A vereadora também apresentou dados atribuídos à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e à Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Segundo as informações citadas, foram registrados 1.149 óbitos por câncer de mama no estado entre 2020 e 2024. Desse total, 860 ocorreram entre mulheres de 30 a 69 anos.
Jacqueline defendeu a ampliação das ações de conscientização, o acesso ao diagnóstico precoce e o fortalecimento da rede de atendimento, incluindo os serviços oferecidos por unidades móveis. Ela também mencionou a necessidade de superar tabus, incentivar o autoexame e orientar a busca por atendimento profissional.
Os dados de incidência e mortalidade foram apresentados pela vereadora durante a discussão sobre o Outubro Rosa. A divulgação da Câmara registra as projeções, os números de óbitos e as propostas defendidas, mas não informa metas de expansão dos serviços, quantidade de unidades móveis envolvidas ou prazo para eventual ampliação do atendimento.
Fonte: Camara dos Vereadores Manaus.