Representantes dos governos federal, estadual e municipal se reuniram neste sábado (10), na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), para discutir o combate aos incêndios florestais no Amazonas e os efeitos da fumaça sobre a qualidade do ar na capital. O encontro contou com a participação dos ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.
A reunião ocorreu após o Amazonas registrar 3.726 focos de calor em setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados pela Prefeitura de Manaus. No mesmo mês do ano anterior, haviam sido contabilizados 942 focos. Nos primeiros dias de outubro, o Estado registrou outros 832 focos, de acordo com a administração municipal.
Participação de Manaus
Durante o encontro, a Prefeitura informou que Manaus representa 0,6% do total de queimadas registradas no Amazonas. A administração municipal atribuiu parte da fumaça que chega à cidade a incêndios ocorridos em outros municípios e regiões do Estado.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Fransuá Mattos, afirmou que a participação dos governos estadual e federal é necessária para reduzir os efeitos das queimadas. “Toda ajuda é importante, do Governo do Estado, do governo federal. A gente sabe que Manaus tem apenas 0,6% do total de queimadas do Estado e que boa parte do que a gente está passando hoje, com qualidade do ar péssima, é justamente dessas queimadas que estão acontecendo em outras regiões do Estado, mas que afetam o nosso dia a dia”, declarou.
Também participaram da reunião o secretário-executivo de Proteção e Defesa Civil, tenente-coronel Lima Júnior; o secretário-chefe da Casa Civil, Célio Guedes; o superintendente do Centro de Cooperação da Cidade, Sandro Diz; e a secretária municipal de Comunicação, Camila Silva.
Monitoramento e apoio a municípios
Segundo a Prefeitura, a Defesa Civil Municipal realiza monitoramento 24 horas durante o período de fumaça. Lima Júnior disse que Manaus está disponível para auxiliar municípios próximos que enfrentam incêndios florestais.
“É importante que o estado do Amazonas e a capital estejam recebendo esse suporte do governo federal, e o município também está à disposição para auxiliar os municípios próximos a combater também, ajudando a resguardar a saúde da nossa população que vem sofrendo com essas queimadas”, afirmou o secretário-executivo.
O município informou ainda que mantém o telefone 153, da Guarda Civil, para o recebimento de denúncias sobre infrações ambientais. De acordo com Lima Júnior, o canal permite que sejam tomadas as primeiras medidas relacionadas às ocorrências.
A estrutura municipal também inclui o uso de drones e caminhões-pipa. Conforme a Prefeitura, os veículos são empregados para umedecer áreas arborizadas e reduzir o ressecamento.
Qualidade do ar e restrições
Na sexta-feira (9), a concentração de poluentes atmosféricos em Manaus atingiu níveis críticos, quase quatro vezes acima do limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo os dados citados pela administração municipal.
A Prefeitura informou que suspendeu as aulas da rede municipal de ensino e o atendimento presencial nos órgãos públicos da administração direta e indireta como medida preventiva de proteção à saúde. A suspensão de eventos ao ar livre promovidos pelo município foi prorrogada até segunda-feira (12).
A administração municipal também relacionou o agravamento das condições ambientais à estiagem e à escassez de chuvas na capital desde agosto. Conforme a divulgação, o uso ilegal do fogo para limpeza de áreas e manejo de pastagens contribuiu para a propagação das chamas na vegetação ressecada no interior do Estado. Em Manaus, a Prefeitura afirmou que a prática é evitada na zona rural em razão da mecanização da produção agrícola.
Reforço aéreo
O governo federal destinou 11 aeronaves ao Amazonas para apoiar o combate aos incêndios florestais. Seis unidades — quatro aviões e dois helicópteros — pousaram na tarde de sábado na Base Aérea de Manaus, no Aeroporto de Ponta Pelada. As outras cinco aeronaves ainda estavam a caminho do Estado, segundo a Prefeitura.
Fonte: Prefeitura de Manaus.
