terça-feira, 29 de setembro de 2026
Cidades

Manicoré guarda paisagens que revelam a força dos rios e da floresta no sul do Amazonas

Manicoré, no sul do Amazonas, reúne paisagens formadas pelo rio Madeira, pelo rio Manicoré e por extensas áreas de floresta. O município também abriga unidades de conservação e atrativos como o balneário do Atininga e as cachoeiras do rio Manicoré.

As paisagens de Manicoré ajudam a explicar a relação entre os rios, a floresta e a vida cotidiana no sul do Amazonas. Localizado à margem direita do rio Madeira, o município reúne praias fluviais, áreas de banho, trechos de floresta e cursos d’água que atravessam uma das regiões mais extensas do estado.

Entre os atrativos citados por órgãos públicos estão o balneário do Atininga e as cachoeiras do rio Manicoré. A cidade também é associada à pesca esportiva do tucunaré, atividade que depende da presença dos rios e da diversidade de ambientes aquáticos existentes no território.

Além dos locais procurados para lazer, Manicoré abriga áreas destinadas à conservação ambiental. A Reserva Biológica do Manicoré e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Amapá protegem ambientes naturais e refletem a importância ecológica da região.

Um município moldado pelo rio Madeira

Manicoré está situado no eixo do rio Madeira, um dos principais cursos d’água da Amazônia. O rio funciona como referência geográfica, caminho de circulação e elemento central da paisagem urbana e rural. Em uma região onde as distâncias são medidas também pelo tempo de deslocamento fluvial, a presença do Madeira influencia o transporte, o comércio e o modo como as comunidades se distribuem.

A relação com os rios também aparece no próprio nome do município. Segundo a Prefeitura de Manicoré, a denominação está ligada ao rio Manicoré, afluente do Madeira. O nome do curso d’água, por sua vez, teria origem na palavra “Ancoré”, associada a um grupo indígena que habitava a região.

O cenário encontrado atualmente é resultado de uma combinação entre rios de diferentes dimensões, igarapés, áreas de várzea e florestas. Durante o ano, a variação do nível das águas transforma as margens, modifica o acesso a determinados pontos e altera a aparência de praias e áreas de banho. Essa dinâmica é uma das características mais marcantes das paisagens amazônicas.

Da ocupação histórica à formação da cidade

A história de Manicoré está relacionada à ocupação do vale do rio Madeira. De acordo com o histórico divulgado pela Prefeitura, expedições passaram pela região ainda no século XVII. Em 1797, foi fundada a povoação do Crato, em uma área considerada estratégica para as transações entre o Grão-Pará, Mato Grosso e Goiás.

O povoado mudou de localização em 1802, quando foi transferido para um sítio entre os rios Baetas e Arraias. Em 1858, foi criada a freguesia de São João Batista do Crato. Dez anos depois, a sede da freguesia passou para o povoado de Manicoré, que recebeu a denominação de Nossa Senhora das Dores de Manicoré.

A localidade foi elevada à categoria de vila em 1877. No ano seguinte, tornou-se sede da Comarca do Rio Madeira. Em 1896, recebeu o título de cidade. Essa trajetória ajuda a compreender por que a formação urbana e econômica do município está tão ligada à navegação, aos rios e às atividades desenvolvidas em suas margens.

O balneário do Atininga e as áreas de lazer

Entre os pontos conhecidos de Manicoré está o balneário do Atininga. O local aparece nas informações oficiais de turismo como um dos atrativos do município. Balneários amazônicos costumam reunir áreas de banho, convivência e contato com a paisagem, com uso condicionado ao nível dos rios, à época do ano e às condições de acesso.

No caso de Manicoré, o Atininga representa uma forma de aproximação entre a população e os ambientes naturais do município. O interesse pelo local está relacionado à possibilidade de aproveitar as águas e observar a vegetação que compõe o entorno. Como ocorre em outros pontos fluviais da Amazônia, a experiência pode mudar conforme o período de cheia ou de vazante.

A variação do regime dos rios é um aspecto importante para interpretar a paisagem. Na cheia, determinadas áreas ficam encobertas e os cursos d’água ampliam sua presença no território. Na vazante, surgem praias, bancos de areia e caminhos que podem ficar submersos em outras épocas. Por isso, a configuração dos atrativos não é fixa.

Cachoeiras do rio Manicoré

As cachoeiras do rio Manicoré também são apontadas como atrativos naturais do município. Elas acrescentam ao território uma paisagem diferente daquela observada nas margens mais calmas do Madeira. A presença de corredeiras e quedas d’água está associada à variação do relevo e à força da correnteza em determinados trechos do rio.

Esses ambientes chamam atenção pelo contraste entre a água em movimento, as pedras e a floresta. A paisagem pode ser observada como parte de um sistema natural que inclui nascentes, afluentes, áreas de mata e comunidades dependentes dos recursos hídricos.

Informações sobre acesso, segurança, períodos adequados para visitação e necessidade de acompanhamento local devem ser confirmadas antes de qualquer deslocamento. Rios amazônicos apresentam correntezas, mudanças rápidas de nível e trechos de difícil navegação. A existência de um atrativo natural não significa que todos os pontos estejam estruturados para receber visitantes.

Floresta e áreas protegidas

As paisagens de Manicoré não se resumem aos locais utilizados para lazer. O município também integra uma área de importância ambiental reconhecida por unidades de conservação estaduais e federais.

A Reserva Biológica do Manicoré foi criada por decreto federal em 11 de maio de 2016. Administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a unidade está localizada nos municípios de Manicoré e Novo Aripuanã. Seu objetivo é proteger a diversidade biológica de parte dos rios Manicoré, Manicorezinho e Jatuarana, além de seus afluentes, paisagens naturais e serviços ecossistêmicos.

Com área informada pelo ICMBio de 359.137,55 hectares, a reserva pertence à categoria de proteção integral. Isso significa que sua função principal é conservar os ecossistemas e permitir atividades compatíveis com os objetivos definidos para esse tipo de unidade, como pesquisa e ações de proteção ambiental. A visitação, quando existente, deve seguir as regras específicas da unidade.

A presença da reserva reforça a importância dos rios e da floresta na identidade ambiental de Manicoré. Os cursos d’água não são apenas elementos cênicos: eles sustentam habitats, influenciam a circulação de espécies e ajudam a manter processos ecológicos essenciais para a região.

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Amapá

Outra área de destaque é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Amapá, administrada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas. A unidade está localizada em Manicoré e foi criada em 2005, com área de 216.108,73 hectares, segundo a Sema.

As reservas de desenvolvimento sustentável procuram conciliar a conservação da natureza com a permanência e o uso sustentável dos recursos por populações tradicionais. Nesse modelo, a paisagem inclui tanto os ambientes naturais quanto as comunidades que vivem na região e participam da gestão dos recursos.

Em 2024, a RDS do Rio Amapá iniciou uma ação de monitoramento de quelônios. O trabalho envolveu a coleta de ovos e a construção de uma estrutura para apoiar a reprodução e a soltura de filhotes. A iniciativa mostra como a conservação pode estar associada à participação comunitária e ao acompanhamento de espécies presentes nos rios e nas praias fluviais.

Os quelônios dependem diretamente das condições das praias, das margens e dos ciclos de cheia e vazante. A proteção desses ambientes contribui para preservar não apenas as espécies, mas também a dinâmica natural que caracteriza os rios amazônicos.

Pesca, biodiversidade e vida ribeirinha

Manicoré também é conhecido pela pesca esportiva do tucunaré. A atividade é relacionada à diversidade dos ambientes aquáticos e à presença de lagos, rios e áreas de remanso. O peixe, bastante valorizado na Amazônia, faz parte da cultura alimentar e da economia de diferentes comunidades da região.

A pesca esportiva, quando realizada de acordo com as regras ambientais, depende da conservação dos estoques pesqueiros e da manutenção dos habitats. Períodos de reprodução, tamanhos mínimos, equipamentos autorizados e regras de captura podem variar conforme a legislação e devem ser consultados antes da atividade.

Ao lado da pesca, a agricultura, o extrativismo e o comércio têm importância para a economia local. A Prefeitura de Manicoré destaca a produção de banana, melancia e farinha, além da extração de produtos como borracha e castanha. Essas atividades ajudam a explicar a diversidade de usos do território, que combina áreas urbanas, comunidades rurais, florestas e rios.

Uma paisagem em constante transformação

O principal traço das paisagens de Manicoré é a transformação contínua. O território muda conforme o nível dos rios, o período de chuvas, a abertura de praias e a movimentação das comunidades. A mesma margem pode apresentar uma aparência durante a cheia e outra completamente diferente meses depois.

Essa variação exige que qualquer visita seja planejada com informações atualizadas. Condições de navegação, funcionamento de atrativos, regras de unidades de conservação e formas de acesso podem mudar. Também é importante respeitar áreas protegidas, evitar o descarte de resíduos e seguir orientações de moradores, condutores e órgãos ambientais.

Mais do que um conjunto de pontos turísticos, Manicoré apresenta uma paisagem construída pela interação entre água, floresta e presença humana. O balneário do Atininga, as cachoeiras do rio Manicoré, as margens do Madeira e as unidades de conservação fazem parte de um mesmo sistema regional. Juntos, esses elementos ajudam a revelar a diversidade natural e histórica do sul do Amazonas.

Fontes consultadas: Prefeitura de Manicoré, histórico municipal, Amazonastur, ICMBio e Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas.