terça-feira, 29 de setembro de 2026
Cidades

Roteiro pelo Amazonas: cinco cidades para conhecer além de Manaus

Um roteiro por cidades do Amazonas mostra que a diversidade do estado vai muito além de Manaus. Presidente Figueiredo, Novo Airão, Tefé, Parintins e São Gabriel da Cachoeira revelam diferentes paisagens, culturas e formas de relação com os rios e a floresta.

Um roteiro pelo Amazonas pode começar em Manaus, mas não precisa terminar na capital. O estado reúne municípios com paisagens, festas, modos de vida e referências históricas bastante diferentes entre si. Em vez de uma única experiência amazônica, o visitante encontra vários contextos: áreas de cachoeiras próximas à rodovia, arquipélagos fluviais, cidades marcadas pelo Festival de Parintins, municípios ribeirinhos e territórios de forte presença indígena.

As distâncias e as condições de acesso variam muito. Por isso, conhecer o interior amazonense exige planejamento e respeito ao ritmo dos rios, às regras das unidades de conservação e às orientações de moradores, guias e órgãos responsáveis. A própria Amazonastur reúne informações sobre diferentes municípios turísticos do estado.

Presidente Figueiredo: a rota das cachoeiras

A cerca de 107 quilômetros de Manaus, Presidente Figueiredo é um dos destinos mais acessíveis para quem deseja sair da capital e conhecer áreas de floresta, rios e quedas-d’água. O município é conhecido como “Terra das Cachoeiras” e tem como principal eixo de acesso a BR-174, rodovia que liga o Amazonas a Roraima.

O destaque natural da cidade está na quantidade e na variedade de seus atrativos aquáticos. Há cachoeiras, corredeiras, cavernas, igarapés e áreas de banho distribuídas entre a zona urbana e comunidades rurais. A prefeitura também identifica no município atividades de ecoturismo, turismo de aventura, turismo de base comunitária, pesca esportiva e turismo fluvial.

O roteiro pode incluir visitas a balneários e áreas de floresta, sempre com atenção às condições de segurança e às regras de cada propriedade ou atrativo. Como o volume de água muda ao longo do ano, a experiência em uma mesma cachoeira pode ser diferente conforme o período da visita.

Além da natureza, Presidente Figueiredo ajuda a compreender como a expansão da infraestrutura rodoviária transformou a relação de municípios do interior com Manaus. A cidade foi criada a partir do desmembramento de áreas de Novo Airão, Itapiranga, Silves e Urucará, e teve sua instalação administrativa efetivada no início da década de 1980.

Novo Airão: entre Anavilhanas, Jaú e o rio Negro

Novo Airão está a aproximadamente 180 quilômetros de Manaus e se tornou uma das principais portas de entrada para experiências de natureza no baixo rio Negro. O município está próximo do Parque Nacional de Anavilhanas e do Parque Nacional do Jaú, duas unidades de conservação de grande importância para a proteção de ambientes amazônicos.

O Parque Nacional de Anavilhanas é formado por um extenso conjunto de ilhas, canais e lagos. Passeios fluviais permitem observar a transformação da paisagem conforme o nível do rio, com praias, igapós e trechos de floresta alagada aparecendo ou desaparecendo de acordo com a sazonalidade.

Já o Parque Nacional do Jaú protege uma ampla área de floresta e rios. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade informa que não há transporte regular de Novo Airão até o parque. O acesso depende da contratação de operadoras de turismo ou de embarcações de associações locais, o que reforça a necessidade de organizar a visita com antecedência.

Entre os pontos de interesse do entorno estão também as ruínas de Airão Velho, áreas de trilha e atrativos ligados ao Parque Estadual do Rio Negro Setor Norte. A história do antigo povoado ajuda a mostrar como a ocupação da região esteve relacionada à circulação pelos rios e às atividades econômicas que marcaram diferentes períodos da Amazônia.

Novo Airão também é conhecido por iniciativas de observação da fauna, incluindo os botos, e por atividades de turismo comunitário. A visita, no entanto, deve priorizar condutas que não alterem o comportamento dos animais e respeitar as orientações dos responsáveis por cada atividade.

Tefé: o encontro entre cidade, lago e floresta

Localizada no centro do estado, Tefé está a cerca de 643 quilômetros de Manaus, segundo informações da Amazonastur. A cidade funciona como uma referência regional no Médio Solimões e mantém forte relação com o Lago Tefé, com o rio Solimões e com as comunidades espalhadas pelos arredores.

Um dos principais atrativos mencionados no roteiro turístico do município é o encontro entre as águas do Lago Tefé e o rio Solimões. A paisagem expressa uma característica central da geografia amazônica: a presença de rios, lagos, paranás e igarapés que se conectam e organizam os deslocamentos, a economia e a vida cotidiana.

Tefé também é uma porta de entrada para conhecer projetos de conservação e pesquisa na região. O município abriga instituições e iniciativas ligadas ao estudo da biodiversidade, à educação ambiental e ao desenvolvimento de atividades com comunidades ribeirinhas. Essas experiências precisam ser agendadas e realizadas conforme as regras de cada organização.

Mais do que um ponto de passagem, Tefé permite observar uma Amazônia urbana e ribeirinha ao mesmo tempo. A cidade concentra serviços e comércio para uma extensa área do interior, enquanto os rios continuam essenciais para o transporte de pessoas, mercadorias e alimentos.

Parintins: a cidade do boi-bumbá

Na margem direita do rio Amazonas, Parintins está a aproximadamente 369 quilômetros de Manaus e é conhecida como Ilha Tupinambarana. A cidade ganhou projeção nacional e internacional por sediar o Festival de Parintins, marcado pela disputa entre os bois-bumbás Garantido e Caprichoso.

Realizado tradicionalmente no último fim de semana de junho, o festival reúne música, dança, alegorias, personagens mitológicos e referências à vida amazônica. A festa é uma das principais expressões culturais do estado e transforma o Bumbódromo no centro de uma competição artística que mobiliza moradores, artistas, trabalhadores e visitantes.

A identidade de Parintins, porém, não se resume aos dias de festival. A cidade mantém uma vida cultural própria durante todo o ano, com ensaios, manifestações populares, artesanato, culinária e celebrações comunitárias. Conhecer o município fora do período da festa pode oferecer outra perspectiva sobre a tradição dos bois e sobre a produção cultural local.

O entorno também reúne lagos, balneários e áreas de interesse paisagístico. A Serra da Valéria, próxima ao rio Amazonas, é um dos pontos citados nas informações turísticas do estado. Como ocorre em outras áreas do interior, o deslocamento até atrativos fora da sede depende de transporte adequado e de orientação local.

São Gabriel da Cachoeira: diversidade no Alto Rio Negro

São Gabriel da Cachoeira está a cerca de 853 quilômetros de Manaus, no Alto Rio Negro. O município se destaca pela dimensão territorial, pela presença de diferentes povos indígenas e pela paisagem formada por rios, serras, cachoeiras e florestas.

Na região está o Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil. O acesso ao parque e às áreas de montanha envolve regras específicas, autorizações e acompanhamento adequado. Não se trata de um passeio convencional: a distância, as condições ambientais e a necessidade de respeitar territórios e comunidades tornam indispensável o planejamento com instituições e operadores habilitados.

São Gabriel da Cachoeira também é reconhecida pela diversidade étnica. Povos como Tukano, Yanomami e Baniwa vivem no Alto Rio Negro, em aldeias e comunidades com formas próprias de organização, produção e transmissão de conhecimentos. O contato com essas culturas deve ocorrer com autorização, mediação e respeito às decisões de cada comunidade.

O artesanato indígena é uma das expressões culturais encontradas no município, com cestos, redes, utensílios e outros objetos produzidos por diferentes grupos. A compra direta de peças, quando feita de maneira responsável, pode contribuir para a valorização do trabalho artesanal e para a geração de renda local.

A cidade também guarda referências da ocupação histórica do Alto Rio Negro e da presença de missões religiosas, instituições públicas e organizações indígenas. O resultado é uma paisagem cultural complexa, na qual a história regional não pode ser separada dos povos originários que habitam o território.

Como organizar o roteiro pelo Amazonas

As cinco cidades podem ser visitadas como etapas independentes, e não necessariamente em uma única sequência terrestre. Presidente Figueiredo e Novo Airão são alternativas mais próximas de Manaus. Parintins, Tefé e São Gabriel da Cachoeira exigem deslocamentos mais longos e planejamento específico, com atenção aos horários de barcos, voos, estradas e transportes locais.

Uma forma de organizar a viagem é escolher o perfil do roteiro. Quem busca cachoeiras e atividades de natureza pode priorizar Presidente Figueiredo. Para conhecer arquipélagos, praias fluviais e unidades de conservação, Novo Airão é uma referência. Parintins concentra a experiência cultural do boi-bumbá. Tefé oferece contato com a dinâmica do Médio Solimões, enquanto São Gabriel da Cachoeira apresenta a diversidade ambiental e indígena do Alto Rio Negro.

Antes de viajar, é importante confirmar as condições de acesso, a necessidade de contratação de guia, as regras de visitação e a disponibilidade de hospedagem. Em unidades de conservação e territórios indígenas, a entrada não deve ser tratada como uma visita comum: existem normas próprias para proteger o ambiente e garantir o respeito às comunidades.

Também é recomendável evitar promessas de contato garantido com animais, cachoeiras em condições específicas ou comunidades tradicionais. Na Amazônia, a experiência depende do nível dos rios, do clima, da logística e das decisões de quem vive e trabalha em cada destino.

Um estado formado por muitos Amazônias

Conhecer o interior do Amazonas é perceber que não existe uma única paisagem amazônica. O estado reúne cidades rodoviárias, comunidades ribeirinhas, centros de pesquisa, territórios indígenas, festas populares e unidades de conservação. Cada destino apresenta uma combinação própria de natureza e história.

Por isso, um roteiro por Presidente Figueiredo, Novo Airão, Tefé, Parintins e São Gabriel da Cachoeira funciona menos como uma lista de atrações e mais como uma introdução à diversidade regional. A viagem revela diferentes maneiras de viver com os rios e a floresta — e mostra por que conhecer o Amazonas além de Manaus exige tempo, planejamento e respeito aos territórios visitados.

Informações sobre unidades de conservação e visitação podem ser consultadas no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A Amazonastur também mantém uma relação de Centros de Atendimento ao Turista em municípios como Novo Airão, Presidente Figueiredo, Parintins e São Gabriel da Cachoeira.