A média mensal de notificações de sífilis congênita em Manaus chegou a 33 casos em 2026, ante 24 no ano anterior, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) monitorados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O aumento de 37,5% foi apresentado durante uma mobilização realizada em 14 de outubro na Unidade de Saúde da Família (USF) José Rayol dos Santos, no bairro Chapada, zona Centro-Sul.
A sífilis congênita ocorre quando a infecção é transmitida da gestante para o bebê. Para ampliar a identificação da doença durante a gravidez, a rede municipal passou a realizar, em 2026, pelo menos três testes ao longo do pré-natal, incluindo uma etapa no segundo trimestre.
Testagem durante a gravidez
As recomendações do Ministério da Saúde citadas pela Semsa indicam a realização do exame na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, novamente no terceiro trimestre e no momento do parto ou em caso de aborto. A estratégia adotada em Manaus acrescenta a testagem no segundo trimestre da gestação.
Segundo a diretora de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador, Marinélia Ferreira, o tratamento da sífilis é feito com medicação injetável e tem importância especialmente para as gestantes. Ela afirmou que, após a identificação da doença, é necessário completar o tratamento e manter a proteção durante a gravidez.
A mobilização integrou a programação do “Outubro Verde”, campanha nacional de combate à sífilis e à sífilis congênita. No local, as equipes ofereceram testes rápidos para sífilis, kits de autoteste de HIV, preservativos e materiais informativos. Também orientaram os usuários sobre prevenção e adesão ao tratamento após um diagnóstico positivo.
Serviços disponíveis na rede
De acordo com a Semsa, todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) da rede municipal oferecem testes para sífilis, HIV e hepatites virais, além de preservativos. A testagem também é realizada em ações de saúde fora das unidades. O exame de sífilis utiliza uma gota de sangue coletada na ponta do dedo e leva cerca de 30 minutos, conforme informou a enfermeira Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Hepatites Virais.
Ylara orienta que pessoas com vida sexual ativa que não utilizam preservativo em todas as relações façam o teste para sífilis pelo menos uma vez por ano. A técnica também relacionou parte do crescimento das notificações à maior disponibilidade dos testes rápidos na rede básica e em ações extramuros.
Registros em outros grupos
Os dados monitorados pela Semsa mostram aumento das médias mensais de notificações em outras categorias. Entre adultos, exceto gestantes, a média passou de 322 casos em 2025 para 361 em 2026, alta de 12,1%. No grupo de gestantes, subiu de 198 para 208 registros mensais, crescimento de 5,1%.
As notificações indicam os registros acompanhados pelo sistema, mas a avaliação da Semsa atribui parte da elevação à ampliação do acesso ao diagnóstico. A divulgação não apresenta metas, prazos ou resultados consolidados da estratégia de pelo menos três testes no pré-natal, além das médias de notificações e da oferta dos exames na rede.
Fonte: Prefeitura de Manaus.

