sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Cidades

Protocolo municipal prevê três exames para gestantes e tratamento contínuo da sífilis em Manaus

Orientação emitida em março de 2026 acrescentou uma testagem no segundo trimestre; Semsa também informa teste rápido em todas as unidades da rede e média de 33 casos congênitos por mês neste ano.
Protocolo municipal prevê três exames para gestantes e tratamento contínuo da sífilis em Manaus
Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus

A rede municipal de saúde de Manaus passou a orientar três exames de sífilis durante a gestação. A recomendação, emitida em março de 2026 pelo Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical, acrescentou uma testagem no segundo trimestre aos exames previstos para o início e o fim da gravidez.

A medida integra as ações do Outubro Verde, campanha realizada pela Prefeitura de Manaus por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). A estratégia busca identificar a infecção e iniciar o tratamento o quanto antes para reduzir a transmissão da bactéria da gestante para a criança, chamada de transmissão vertical.

Exames em diferentes fases da gestação

Segundo a Semsa, a avaliação adicional pode detectar situações em que a gestante foi exposta recentemente à bactéria e ainda estava no período de janela imunológica no primeiro exame. O teste também pode apontar novas infecções contraídas durante a gravidez e reinfecções, que podem ocorrer quando as parcerias sexuais não recebem tratamento adequado.

A transmissão da sífilis para o bebê pode acontecer durante o parto, mas a secretaria informa que a exposição ocorre principalmente no ambiente intrauterino, ao longo da gestação. De acordo com Ylara Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecção Sexualmente Transmissível e Hepatites Virais da Semsa, o início tardio do tratamento aumenta a possibilidade de consequências para a criança.

“Com o tratamento adequado, conseguimos evitar a transmissão da bactéria da gestante para o embrião em 100% dos casos, mas isso depende muito do tempo de exposição no útero. Quando a mulher inicia o tratamento de forma tardia, as chances de haver alguma consequência são bem maiores”, afirmou.

Notificações e oferta de teste

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, citados pela Semsa, apontam média de 208 notificações mensais de sífilis em gestantes em 2026. Em 2025, a média era de 198 casos por mês, o que representa aumento informado de 5,1%.

Entre os registros de sífilis congênita, a média mensal passou de 24 casos em 2025 para 33 neste ano. A alta informada pela secretaria é de 37,5%.

O teste rápido está disponível em todas as unidades de saúde da rede municipal. O procedimento é realizado com uma gota de sangue e tem resultado em aproximadamente 30 minutos. A Semsa recomenda que pessoas com vida sexual ativa façam pelo menos uma testagem anual para infecções sexualmente transmissíveis.

Para mulheres que desejam engravidar ou já estão grávidas, a orientação é procurar o serviço de saúde o mais cedo possível para iniciar o pré-natal e verificar a ocorrência de sífilis. A infecção é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida em relações sexuais sem preservativo.

Tratamento precisa ser concluído

A sífilis pode provocar feridas na boca ou nos órgãos genitais e manchas na pele, conforme a fase da infecção. Esses sinais podem desaparecer depois de alguns dias ou semanas, mas a ausência dos sintomas não significa que a bactéria foi eliminada do organismo, segundo a Semsa.

Na maioria dos casos em adultos, o protocolo prevê três doses de penicilina, aplicadas com intervalo de sete dias. Quando o intervalo chega a sete ou nove dias, o esquema precisa ser reiniciado. A secretaria afirma que a interrupção pode ocorrer por medo da dor, preconceito ou pela interpretação de que o desaparecimento dos sintomas representa cura.

Para localizar pessoas que não completaram as aplicações, a Semsa informa que realiza busca ativa e ações de sensibilização. A secretaria também orienta o tratamento das parcerias sexuais, medida associada à prevenção de novas exposições e reinfecções durante a gravidez.

Fonte: Prefeitura de Manaus.

Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus